sexta-feira, 28 de maio de 2010

Derrubando preconceitos - Introdução ao Islamismo


O Islã é uma religião monoteísta baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad S.W.A.S) e numa escritura sagrada, o Alcorão. Na visão muçulmana, o Islã surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé. Religião também conhecida como Islamismo.

A palavra islã deriva da quarta forma verbal da raiz sim: aslama, submeter-se" e significa "submissão (a Deus)"; muslim, muçulma­no, é seu particípio presente: "(aquele) que se submete (a Deus)".

Mantendo sua ênfase em um monoteísmo intransigente e uma aderência estrita a determinadas práticas religiosas essenciais, a religião revelada pelo profeta Maomé (Muhammad S.W.A.S) a um grupo pequeno de seguidores, expandiu rapidamente através do Oriente Médio, África, Europa, ao subcontinente indiano, à Península da Malásia e a China. Hoje o islamismo é a segunda maior das três principais religiões monoteístas do mundo, perdendo em número de seguidores somente para o cristianismo. É também a religião com os maiores índices de crescimento. Os últimos Censos estimam haver 1.2 a 1.3 bilhões de seguidores o que representa 25% da população mundial. A Indonésia é o país com maior numero de Muçulmanos com 184 milhões de seguidores. Já no Brasil este número é bem menor, 27.239 segundo o censo de 2000. Mas algumas instituições islâmicas defendem um numero bem maior, aproximadamente 1.5 mi de muçulmanos.

Contraditoriamente à sua expansão e difusão, é uma das religiões mais mal compreendidas no ocidente que associa a religião e seus seguidores a diversos preconceitos resultantes de pouca ou má informação.

De Inicio é importante desmistificar a correlação da civilização árabe com a religião islâmica, pois ao contrario do que muitos acreditam, nem todo árabe é muçulmano e nem todo muçulmano é árabe. Os árabes muçulmanos representam menos de 25% do numero total de seguidores do Islamismo no mundo.

Contexto político, social e religioso antes do advento do Islã

A base da sociedade Árabe era a tribo que reunia descendentes de um mesmo antepassado. Uma tribo era composta por vários clãs, e agrupava famílias alargadas que se encontram sob a autoridade de um homem. Algumas tribos eram sedentárias e outras eram nómadas (beduínos). As tribos viviam em guerra constante.

Do ponto de vista religioso, a Arábia, antes do islamismo, era território do politeísmo se­mítico, do judaísmo arabizante e do cristianismo bizantino. Tribos judaicas, talvez chegadas à península Arábica após a destruição do Segundo Templo em 70, formavam comunidades que habitavam os locais de Fardak e Yathrib, nome pré-islâmico da cidade de Medina. Algumas tribos da Árabia setentrional tinham se convertido ao cristianismo monofisita ou ao cristianismo nestoriano. Influências zoroastrianas e cristãs faziam-se sentir a sul, no Iémen. As re­giões do norte e do leste, atravessadas pelas grandes rotas comer­ciais, foram profundamente influenciadas pelo helenismo e pelos romanos.

No tempo de Maomé, o culto dos deuses tribais havia rele­gado a segundo plano a antiga religião astral do Sol, da Lua e de Vénus. .As principais divindades eram adoradas sob a forma de uma árvore ou de um bétilo (pedra sagrada). Alguns bétilos eram transportáveis e acompanhavam os nómadas nas suas deslocações. Os Árabes erguiam santuários e sacrificavam animais em sua honra. Outras práticas religiosas incluiam o jejum e a peregrinação. Acreditava-se igualmente na presença dos djins, espíritos, alguns dos quais tinham um carácter maligno.

Os árabes reconheciam uma divindade a que chamavam de Al-lah, criador todas as coisas, mas este não tinha o carácter que lhe foi atribuído mais tarde pelo Islão. Al-lah tinha três filhas: Allat, Manat ("Destino") e Al´Uzza ("A Poderosa").

A cidade de Meca, no Hijaz, a cerca de 80 quilômetros do mar, era o centro de uma peregrinação anual feita pelos Árabes. Nela encontrava-se um santuário, a Kaaba, onde existia a Pedra Negra, provavelmente um meteorito, que era alvo de veneração. Os peregrinos davam sete voltas em torno dela no sentido contrário aos ponteiros do relógio. No século VII a cidade adquiriu importância como centro económico: ela controlava o tráfego de caravanas que atravessam a Arábia. Por ela passavam os produtos que tinham sido trazidos para o Iémen da Abíssinia e da Índia e que eram transportados pelas caravanas para o Mediterrâneo. Uma rota que atravessava a Arábia a partir do Golfo Pérsico em direcção à Abissínia foi encerrada devido ao conflito entre a Pérsia e Bizâncio, o que fez aumentar a importância de Meca.

Grandes e poderosas tribos de judeus haviam-se estabelecido nos centros urbanos, como o do oásis de Yathrib, que mais tarde se chamaria Medina (Madina, "A Cidade"). As missões cristãs haviam feito alguns prosélitos (co­nhece-se um na família da primeira mulher de Maomé). No século VI d.C, Meca (Makka), com seu santuário da Caaba em torno do famo­so meteorito negro, já era o centro religioso da Arábia Central e uma importante cidade comercial. Durante toda a vida, Maomé deploraria suas estruturas sociais, a rudeza de seus cidadãos, suas desigualdades econômicas, sua moralidade decadente.

Mais tarde dedicarei um post apenas sobre Maomé (Muhammad S.W.A.S).

Segue abaixo algumas das crenças básicas da fé islâmica:

- O Monoteísmo Islâmico:

O Islã ensina que não há deus alem de Deus (em árabe:Allah), nunca gerou ou foi gerado, é o começo e o fim, o poder absoluto, onipresente e onisciente, é a fonte de toda criação, não há outros deuses superiores iguais ou inferiores a ele.

Capitulo 112 (A UNICIDADE)

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

“1. Diga: Ele é Deus, o Único!

2. Deus! O Absoluto!

3. Jamais gerou ou foi gerado!

4. E ninguém é comparável a Ele!”

Apesar de (Allah) ser a palavra em árabe para Deus, a mesma não pode ser empregada na língua árabe ao denominar qualquer outra divindade ou entidade, com isso se torna identidade exclusiva do Deus único, Deus dos Judeus, cristãos e muçulmanos.

Os praticantes das três religiões monoteístas utilizam a palavra (Allah) ao se referirem a Deus na língua árabe. Portanto é incorreta a afirmação de que (Allah) representaria um deus exclusivo dos muçulmanos, assim como é errado o uso da palavra em árabe (Allah) para se referirem, em outras línguas, ao Deus dos seguidores das três religiões monoteístas.

Algumas das características divinas no islamismo:

  • Deus é considerado eterno e onipotente.
  • Sempre existiu e sempre existirá
  • Sabe de tudo que pode ser sabido
  • Capaz de tudo que pode ser feito
  • Não possui forma
  • Não pode ser visto
  • Não pode ser ouvido
  • Não é Homem ou Mulher
  • É justo
  • Somente para ele devem rezar e adorar

- Os Livros Sagrados:

Os muçulmanos devem reconhecer e ter fé nos cinco livros sagrados mencionados no alcorão:

· O livro de Abraão (A.S*) (C:87 V:19)

· O livro dos salmos de Davi (A.S*) (C:17 V:55)

· A Tora de Moises (A.S*) (C:2 V:87)

· O Evangelho de Jesus (A.S*) (C:5 V:46)

· O Alcorão

O Alcorão contém as mensagens de Deus reveladas ao profeta Maomé (Muhammad) através do anjo Gabriel ao longo de 23 anos.

- Os Anjos:

Crer nos anjos é crucial na fé islâmica. A palavra árabe para anjos (malak) significa "o mensageiro”. De acordo com o Alcorão, os anjos não possuem livre arbítrio, e adoram a Deus em perfeita obediência. Alguns dos deveres dos anjos incluem comunicar revelações de Deus, glorificar Deus, registrar as ações dos seres humanos, e tomar suas almas quando chegar a morte.

- Os Profetas:

Deus criou a humanidade para servi-lo e dotou o homem de capacidade e liberdade de ação. De acordo com a benevolência e justiça divina, Deus emitiu profetas para instruir e guiar a humanidade. Nenhuma nação ou comunidade foi deixada sem tal orientação (C:10 V:47 ; C:15 V:36). Alguns profetas portaram revelações divinas: escrituras e milagres.

O primeiro Profeta para os muçulmanos é Adão seguido por uma longa corrente de Profetas onde o ultimo é o profeta Maomé (Muhammad). (C:30 V:40)

São mencionados no Alcorão vinte e cinco proeminentes profetas entre eles Abraão, Davi, Ismael, Isaac, Moises, Jacó, Jesus e Maomé (Muhammad).

Cinco dos profetas mencionados são considerados como portadores de códigos de lei, são eles os profetas: Abraão, Davi, Moises, Jesus, Maomé.

O livro sagrado dos muçulmanos afirma também a existência de outros profetas de nomes não revelados pelo alcorão. (C:40 V:78)

Crer em todos os profetas mencionados, entre eles Moises, Jesus e Maomé; Assim como a fé em suas mensagens, são importantes fundamentos do islamismo.

- A Justiça:

Todo muçulmano deve acreditar na justiça do todo poderoso. Pois Deus é justo, nunca trata injustamente suas criaturas, já que a injustiça provém da ignorância, da necessidade, da fraqueza ou de causas similares, nenhuma das quais pode existir em Deus.

No alcorão encontramos diversas referencias à justiça divina, em C:95 V:8 “Acaso, não é Deus o mais prudente dos juízes?” e em C:21 V:47 “E instalaremos as balanças da justiça para o Dia da Ressurreição. Nenhuma alma será defraudada no mínimo que seja; mesmo se for do peso de um grão de mostarda, tê-lo-emos em conta. Bastamos Nós por cômputo.”

Também ordenou seus seguidores a aturem com justiça, em C:4 V:85 “Deus manda restituir a seu dono o que vos está confiado; quando julgardes vossos semelhantes, fazei-o eqüidade. Quão excelente é isso a que Deus vos exorta! Ele é Oniouvinte, Onividente.”

- Juízo Final:

De acordo com o Alcorão e com diversos ditos (Ahadith) do profeta Maomé (Muhammad), a morte não é o fim. Após a morte, o espírito humano permanece e experimenta as bênçãos ou os tormentos até a época da ressurreição e julgamento. Este período da morte até a ressurreição é chamado de (barzakh).

No dia do juízo final (youm Al Qiyama) O mundo chegará ao seu fim, será o último dia da responsabilidade humana. Todos os homens passarão pela morte e ressuscitarão para se apresentarem diante de Deus que decidirá seus destinos de acordo com suas ações. A bondade será recompensada com o paraíso (jannah) e o mal será punido com o inferno (jahannam). (C:22 V:6-9 e V:1-2; C:3 V:185; C:4 V:62).

4 comentários:

Hellen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Iris disse...

ahahahaha pode. :)

Anônimo disse...

oque representa exatamente a imagem ?obrigada =D

Iris disse...

Na imagem está escrito "Deus é o maior" em Arabe: Allahu Akbar